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Eu te escolhi

Desde pequeno eu queria ser padre. Meus pais - João Ribeiro e Ana Inez (foto) - apoiaram o meu sonho. E a Providência Divina me pôs em contato com a Família Salesiana. Comecei a conhecer Dom Bosco , o grande amigo e educador da juventude. Depois de alguns anos de estudo em Jaboatão (PE) e Carpina (PE), terminei o segundo grau em Salvador (BA). Foi o período do aspirantado.

Em 74, veio a hora da opção. "Eu vou", resolvi. Fui para o noviciado em Pindamonhangaba (SP). E em 31 de janeiro de 1976, fiz a minha primeira profissão religiosa. Ingressei na Congregação Salesiana. Fiz meu o sonho de Dom Bosco: ser um sinal de Deus na vida dos jovens.

Minha intimidade com a música começou no aspirantado de Carpina. O Pe. Mário Daorizi era o professor de música. Ensinava solfejo e me deu lições de piano. Ele me escalou também para cantar em operetas no teatro. Logo que cheguei, inscrevi-me na Banda Musical: depois de um ano tocando requinta, fui promovido ao naipe de clarineta. O violão, eu aprendi numa das férias, em casa, por minha conta. E nas celebrações do seminário, lá estava eu tocando o harmônio.

O sol vai nascer

Cheguei em Lorena (SP) para juntar-me aos estudantes salesianos de filosofia e pedagogia, em 76. Além dos estudos universitários, atuei no Oratório São Luiz, uma obra social de crianças e adolescentes. Em 78, já estava em Carpina (PE), cumprindo uma etapa de formação chamada "Tirocínio", um Estágio pedagógico-pastoral de dois anos na formação salesiana. Em 78 e 79, funcionei ali como professor, assistente do seminário menor e coordenador do Centro Juvenil.

Foi em Lorena, durante o curso de filosofia, que participei de um concurso do Ministério do Interior dirigido a estudantes universitários. Em 78, fui a Brasília receber meu prêmio de primeiro lugar numa sessão solene da CODEVASF (Companhia do Desenvolvido do Vale do São Francisco). A monografia versou sobre "A irrigação e a integração sócio-econômica do Vale do Rio São Francisco).

Já no noviciado compus alguns pequenas melodias. No aspirantado, tinha feito já alguma coisa. Na Filosofia, compus a canção "Cante conosco". Em Carpina, já como professor, cuidei de reativar a antiga Banda Musical. Dei uma de maestro por uns 2 anos. Organizei também, com os estudantes, um Conjunto Musical. E compus algumas missas para cantar com toda a Escola onde lecionava. É deste tempo "Amanhecer", composta para uma representação teatral sobre a ressurreição.

Como vive este povo sofredor


Em 80, comecei os estudos teológicos em Recife. Freqüentei o ITER (Instituto Teológico do Recife) durante 4 anos. Neste período completei validei e os estudos de Filosofia. E ainda concluí o Curso de Pedagogia, com habilitação em Administração Escolar e Orientação Educacional. Na área pastoral, continuei acompanhando adolescentes e jovens em Carpina e Jaboatão. No ITER, estive à frente do Diretório Acadêmico, no ano de 81. Neste período, lançamos no ITER a Revista Perspectivas Teológico-Pastorais, onde atuei na coordenação da equipe de redação e publiquei alguns artigos.

Os Cursos Regionais de Canto Pastoral chegavam a reunir 800 pessoas em Recife neste período. De participante assíduo, passei a assessor, ensaiando cantos de minha autoria para as celebrações. Era o tempo de Valdeci Farias, Lindenberg Pires, Pe. José Cândido, Reginaldo Veloso, Pe. Campos... Para a profissão dos votos perpétuos, compus uma Ladainha de todos os Santos (inédita). E para minhas ordenações de Diácono e Presbítero compus também diversas canções.

Em janeiro de 81, emiti os votos perpétuos no Santuário do Sagrado Coração em Recife. Em maio de 83, fui ordenado Diácono em Carpina, por Dom Jaime Mota, hoje bispo de Alagoinhas (BA). Dom Marcelo Carvalheira, hoje arcebispo da Paraíba e vice-presidente da CNBB, me ordenou padre em agosto de 83, ano vocacional da Igreja no Brasil. Como lema, escolhi a passagem de Is 6,8: "Eis-me aqui, Senhor, envia-me".

Nos últimos anos de teologia, comecei a frequentar um curso extensivo para formação de biblistas populares. Durante 5 anos, fiz o curso com um grupo de colegas, assessorado pelo biblista Sebastião Armando. Completada esta etapa do extensivo, fui a São Paulo para o curso intensivo na Faculdade Metodista, de São Bernardo do Campo. Depois de 3 anos de padre, estive também por um período em São Paulo frequentando um curso de história da Igreja, do CEHILA (Centro Ecumênico de História da Igreja na América Latina).

Em Recife, acompanhei passo a passo a trajetória de Dom Hélder nesta década de 80, bem como os fatos sombrios da expulsão do Pe. Vito Miracapillo e o julgamento do Pe. Reginaldo Veloso. Este tinha composto uma música - "Vito, Vito, Vitória" - em protesto contra o afastamento do Vigário de Ribeirão.

Povo Unido com Deus conta

Sintonizando com a caminhada da vida religiosa no Brasil, alguns salesianos de nossa região sonhavam viver a vida religiosa em uma comunidade de inserção. E eu partilhava deste sonho também . E foi assim que Pe. José Ivan, o diácono João Norberto e eu, já ordenado, marchamos para a periferia. O bispo auxiliar de Recife, Dom José Lamartine nos apresentou várias possibilidades. Escolhemos Caetés, uma extensa vila popular construída pela COHAB com 5.550 unidades residenciais. Em janeiro de 84, chegamos ao nosso Embrião (a maior partes das casas tinha apenas sala, mini-cozinha e banheiro). Concentramo-nos em ajudar no nascimento de pequenas comunidades, através do trabalho direto com grupos nas ruas. Vieram as construções de Centros Comunitários e, mais tarde, Igreja e capelas, tudo em regime de mutirão e grande participação popular. Participamos em muitas lutas junto aos operários do pólo industrial próximo e aos moradores, entre elas, o cancelamento de um projeto de aterro sanitário às vésperas da inauguração.

Enquanto estive em Caetés, atuei como professor no ITER, na Faculdade de Filosofia do Recife e no Instituto Salesiano de Filosofia. Lecionava Cultura Religiosa, Vaticano II e Introdução à Bíblia.

FECHAMENTO DO ITER

Em 89, veio o sentido fechamento do nosso Instituto de Teologia do Recife (ITER). Em 90, o colega Pe. José Ivan, também ele professor no ITER, veio a falecer repentinamente, vítima de um enfarto fulminante. O colega Padre João Norberto tinha já voltado à sua Província de origem (Minas Gerais). E eu, por mais de 5 anos, toquei o trabalho adiante, mesmo com a ausência dos colegas. Foram 11 anos em Caetés, aprendendo o trabalho popular e colhendo muitas alegrias na evangelização popular.
Em 92, uma boa notícia: as Paulinas acolheram a proposta de reunir num disco minhas canções mais conhecidas nas comunidades. Já havia aparecido duas canções num Compacto. Veio à luz, então, o "Verde Conquista". A música que deu título ao LP fazia uma referência a uma área de reforma agrária em Caetés, Pitanga. Em 94, veio o segundo LP, o "Grãos de Areia", desta vez com versão em CD. Aí sim, preparamos um lançamento no Teatro do Parque, ponto de referência da vida artística da cidade. Teatro lotado, boa repercussão na impresa. Foi aí propriamente que comecei a formar um Banda para tocar o CD em shows ou eventos de divulgação.
O tempo foi ficando escasso para as viagens, as aulas, o atendimento às 10 Comunidades de Base de Caetés. Em 95, fui convocado pelo Provincial para assessorar a Pastoral de Juventude em nível de todo Nordeste Salesiano. Passei a residir em Recife. Um outro irmão salesiano me substituiu em Caetés, o Padre Pedro. Em 96, fui a Roma para tomar parte no XXIV Capítulo Geral da Congregação Salesiana que tratou da participação dos Leigos e Leigas na missão salesiana.

Em 96, foi lançado o CD Festa Maior. O lançamento foi feito no Ginásio de Esportes da Cidade do Recife, um tradicional local de eventos. Veja algumas fotos deste Show na página de fotos . Comecei neste ano um programa diário na Rádio Olinda, o "Fica Conosco".
O apresentador Luís Alberto tinha já um programa semanal na mesma Emissora, o "Amanhecer". Começamos a trabalhar para organizar uma Associação de Ouvintes que patrocinasse os programas. Nasceu a Associação Missionária Amanhecer (AMA). Logo tivemos 4 programas diários no ar na mesma Emissora.
A Rádio América de São Paulo inaugurou a programação religiosa, mantendo a Rádio no ar durante toda a noite, constituindo a Rede Paulusat. A esta altura, a Rádio Olinda me apresentou para fazer um programa diário na Rede. E estou lá até hoje. http://www.amanhecer.org.br
Ao lado do trabalho da Pastoral de Juventude, percorri neste período 250 cidades e fiz mais de 600 shows, divulgando os 3 CDs. O CD "Festa Maior" se completou com o video-show "Festa Maior", produzido a partir do show de lançamento.
Em abril de 99, lançamos o CD "Meu Bom Deus". O novo CD encontrou muitas portas abertas para sua divulgação, especialmente nos programas de Rádio que eu já vinha fazendo em diversas Emissoras. Com grande repercussão na imprensa, tanto no rádio, jornal e televisão, o lançamento foi feito em alto estilo, no Ginásio de Esportes "Geraldão", palco dos grandes eventos culturais e artísticos da cidade. Veja fotos deste Show na página de fotos. O show está registrado no vídeo-show "Meu Bom Deus", produto Paulinas também.


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